
Esta semana, nos deparamos, em praticamente todas as mídias — especialmente aqui no Sul — com a Inteligência Artificial, numa alusão ao fato curioso envolvendo uma senhora que aguardava a chegada do famoso ator Brad Pitt em um aeroporto e que, segundo ela, viveria um possível namoro com o astro.
Assim, a IA, provando sua força e capacidade, entusiasmou muitas pessoas, e o nome do famoso esteve presente em inúmeras postagens. Ainda assim, continuo convicto de que, absolutamente, poesias são, acima de tudo, sentimentos, como já disse em outras oportunidades.
Não restam dúvidas de que a Inteligência Artificial é a mais espetacular novidade tecnológica da atualidade. Quase tudo passará por ela e acontecerá por meio dela, com resultados extraordinariamente positivos em diversas áreas.
A Inteligência Artificial (IA) pode ser definida como uma tecnologia que permite que máquinas aprendam, raciocinem e compreendam situações que, normalmente, exigiriam inteligência humana.
De acordo com informações disponíveis ao público, a IA funciona por meio de algoritmos que processam grandes volumes de dados, permitindo que as máquinas reconheçam padrões, tendências e linguagem. Assim, conseguem resolver problemas, prever ocorrências futuras e tomar decisões de forma autônoma.
Trata-se de um assunto de altíssima complexidade, muito além do senso comum para a maioria das pessoas. Já se fala, inclusive, em diferentes tipos de IA: mais utilizadas, mais ou menos poderosas, cada uma com suas particularidades.
Fala-se também sobre profissões que poderão ser extintas por essas tecnologias, pois as máquinas passarão a realizar inúmeras tarefas por nós. Menos mal que, ao que tudo indica, educadores e professores não serão atingidos diretamente. Mais uma vez, a Educação segue sendo uma espécie de tábua de salvação e um importante meio de formação e orientação da humanidade.
Se escrever poesias faz de alguém um poeta, então sou um. Participo efetivamente de cerca de 60 coletâneas poéticas, que, por meio de sistemas cooperativos, reúnem autores de diferentes localidades em uma mesma obra. Isso faz com que nossos escritos e livros ganhem asas, inclusive fora do Brasil, por intermédio de associações literárias.
Tenho absoluta certeza de que, em nenhum desses textos já editados, falta a minha alma e os meus sentimentos. Tudo o que escrevo vem do coração. Minha essência como escritor está ligada à vida, às alegrias, aos desamores e aos amores das pessoas. Mesmo quando a escrita é autoditada, consigo sensibilizar, transmitir mensagens e receber significativa reciprocidade.
Ainda não possuo um trabalho solo e autoral, por motivos pessoais. Talvez ainda não seja a hora. Material não me falta. Fico impressionado com as ofertas existentes nesse sentido: há um mercado bem estruturado, bem-intencionado e ativo, que realiza excelentes trabalhos nesse nicho e movimenta uma área editorial de grande importância cultural.
No entanto, uma oferta em particular me fez refletir profundamente, pois adentra o campo da Inteligência Artificial. Oferecem a possibilidade de editar um livro com 100 páginas por um valor irrisório e em prazo recorde de apenas uma hora. Basta fornecer uma ideia, algumas diretrizes, e o restante fica a cargo do promotor do serviço. Em um piscar de olhos, surge um livro, com direitos autorais, certamente desenvolvido por IA.
Vejo como humanamente impossível que, nesse tipo de trabalho amplamente oferecido, estejam presentes os sentimentos do autor. É claro que o texto será bem estruturado e correto — este que escrevo, inclusive, também passará por revisão editorial no JMD.
Peço desculpas pela minha sincera opinião. Não há problema algum que me considerem retrógrado. Estou convicto de que um livro de poesias produzido nesse sistema terá pouco ou quase nada da identidade verdadeira, dos valores, dos dons, dos pensamentos e das sensibilidades reais de um poeta.
É certo que as máquinas, com seus algoritmos inteligentes e ousados, irão ditar muitos aspectos do nosso futuro. Mas sempre carregarão a impossibilidade de sentir aquilo que é primordial: o amor.
O amor é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo. Escrever poesias exclusivamente por meio da Inteligência Artificial, para mim, é colocar os sentimentos que movem a vida na lata do lixo.