

Nunca tinha visto tantos desacertos políticos no nosso país. Vivemos nos últimos anos num paradoxo preocupante para a sociedade em geral, penso eu, que esta antagônica divisão nos fragiliza internamente, seja nos setores governamentais vitais para a democracia e soberania, que indiretamente chega aos demais seguimentos de sustentação econômica e social do país. Esta notória falta de valores, regras gerais e imparciais, permite o comando de todos e para poucos, além de abrir portas e janelas para outros ditarem as regras e transformar o Brasil num barco sem rumo e norte.
Como cidadão comum, que nunca se omitiu da questão política e que a conhece por todos os ângulos, posso dizer que a política é a mola mestre para todas as transformações. No entanto, também sei que há agentes éticos e honestos que trabalham para o bem comum, enquanto outros estão mais interessados em projetos pessoais e vaidades.
Lembro-me de uma proposta que apresentei enquanto legislador, que visava incluir educação política e econômica nas escolas de forma extracurricular. Embora não tenha sido aceita, acredito que é fundamental que as crianças aprendam sobre esses assuntos desde cedo para que possam ter uma visão mais clara da importância dos órgãos públicos e do voto.
Hoje em dia, as pessoas estão cada vez mais distantes da política devido à enxurrada de narrativas sobre tudo na Internet e ao descalabro mostrado pelos canais de imprensa diários. É como se os políticos estivessem mais interessados em brigar entre si do que em trabalhar para o bem comum.
Me vem na lembrança o escritor Rubens Alves, que observou que todo mundo quer aprender a falar, mas ninguém quer aprender a escutar. Ouvir bem melhora a comunicação, constrói relacionamentos e resolve problemas. Não seria hora de sentarmos e ouvir uns aos outros atentamente?
Aprecio a obra do poeta, escritor e jornalista moçambicano Mia Couto, que cita que a Esperança é palavra que deve ser dita todo o dia, para que ninguém esqueça que ela existe. Para mim, neste momento de turbulência que estamos passando, deveríamos dar uma pausa na ideologia e fazer do Brasil uma causa só, onde todos indistintamente procurassem ter menos teses e soluções somente pelo poder de falar.
É mais plausível as ações e acreditar conjuntamente que somos muito mais que um país, conflitado politicamente, desunidos e negligentes, nos problemas reais e que determinarão o futuro de todos.
Para isso, a primeira atitude seria OUVIR mais, que nossos dirigentes exerçam essa grandeza humana. Concomitantemente ou jamais desistirem de ESPERANÇAR.
João Cesar Flores
Tupanciretã-RS