

Todos deviam saber que a vida é impermanente, pois nada é para sempre. Aqui, tudo se transforma. Assim, pouco adianta alimentar neuras e restrições às quais nos condicionamos e que, muitas vezes, também exigimos dos outros.
E, nesse caminho, acabamos perdendo a nossa essência humana e, aos poucos, nos transformamos apenas em viventes, sem viver tudo de maravilhoso que está escrito nas entrelinhas da vida.
É nesse vai e vem, em encontros e desencontros, onde a dor também faz parte do caminho, tanto quanto as alegrias. É nas aulas despercebidas dos dias comuns que fortalecemos os bons sentimentos de humanismo, espiritualidade e sociabilidade.
Todo o amor que você não entrega morre contigo. O amor é expressão — seja na palavra ou na atitude. É ação, é movimento, é capacidade de sentir, de ser e de viver.
Mas só ama o outro quem tem, por si próprio, autoestima e plena consciência da sua importância e da divindade de ser gente. Para isso, é preciso afinar o olhar, perceber o invisível que habita o interior das pessoas e que espelha o seu melhor.
Precisamos nos encontrar e morar no tempo. Assim, não aceleramos o curso natural das coisas. Tudo tem seu tempo. Devemos absorver as mudanças como quem bebe um suco de sua preferência. Saber que a saudade é o já vivido verdadeiramente. A habilidade de observar experiências e aprendizados nos ensina a linguagem do bem viver.
Os dias finais do mês de dezembro exercem nas pessoas essa magia de ressignificação da existência, por trazerem consigo questões de renascimento, fé, família, perdão, de se permitir ser mais inteiro — irmão, amigo, cristão, mais coletivo.
Tudo é muito contagiante. É uma epidemia ao contrário, revestida de sentimentos edificantes e construtivos de almas, que se transforma em um portal para a compreensão: abraçar mais, escutar com atenção, sonhar junto, acreditar que tudo é possível — ou mais fácil — quando não estamos sós. Nossos familiares são indispensáveis, e família é quem está ao nosso lado ou aquele a quem estendemos a mão.
Finalizo em estado de gratidão. Tive um ano maravilhoso no trabalho, como muitos de vocês. Fiquei doente, mas estou superando essa fase. Aproveitei o carinho e a atenção dos filhos e da neta. Perdi, para outro plano, amigos inesquecíveis, mas abri meu coração para tantos outros. Escrevi e editei poesias e, por elas, recebi várias antologias — palavra de origem grega que significa “conjunto de flores”. Assim, sou flor em jardim literário.
Fui verdadeiro, justo, honesto e humano em todos os encontros, reuniões e movimentos dos quais participei, inclusive quando travestido de Papai Noel. Meu coração esteve sempre por inteiro, e aprendi com todos, independentemente de suas situações ou condições. Claro que não sou perfeito, apenas filho de Deus, buscando viver da melhor maneira possível.
Desejo a você uma boa leitura e um ótimo aprendizado nas entrelinhas da vida.
TODOS CONTRA A DENGUE



