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O nome que carregamos

O nome como marca individual, herança cultural e elo entre passado, presente e futuro

Publicada em 21/01/2026 às 17:18h | João Cesar Flores 

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O nome que carregamos


 

 

 

Volta e meia a memória prega-me uma peça e acabo esquecendo o nome de pessoas próximas e conhecidas. Você que já passou por isso sabe o quanto é chato e deselegante.

Pois o nome é um elemento de individualização na nossa sociedade e, além disso, um direito fundamental. Nosso nome é algo íntimo, uma etiqueta que carregaremos, geralmente, para o resto da vida — apesar de hoje já ser possível alterá-lo ou trocá-lo.

Dia desses ouvi um genealogista — achei intrigante e interessante essa profissão, que estuda as famílias, rastreia linhagens e histórias. Assim, aprendi algumas curiosidades sobre o tema.

Vêm dos romanos antigos o prenome, o nome e o agnome: uma referência honorífica ao nome de alguém, para lembrar suas virtudes e a excelência de seus atos ou diferenciar pessoas da mesma família, como ocorre com sobrenomes, filho, neto e sobrinho.

Você nem imagina a variedade de situações que deram origem aos nomes. Houve uma época em que, enquanto as comunidades se formavam, para diferenciar um Pedro do outro usavam-se profissões e localidades. Surgiam daí o Pedro Ferreiro ou o Antônio Nogueira, por pertencer a uma localidade onde havia a plantação dessa árvore.

Foi no século XVIII, por meio dos pastores, que começaram os registros de batismos, casamentos e óbitos, pois dessa maneira tinham maior controle das pessoas. Muitos nomes trazem o mesmo sentido, porém com grafia diferente, como Sousa e Souza, porque as pessoas escreviam conforme ouviam e entendiam.

Numa palestra a que assisti há algum tempo, o preletor divertiu a plateia ao dizer que, no tempo da escravidão, os senhores de engenho se esbaldavam e se serviam das negras das senzalas. Quando estas mostravam a barriga, eram interpeladas pelas madames das fazendas sobre o pai da criança esperada. Como não podiam dizer a verdade, os filhos acabavam sendo… das Limeiras, das Figueiras, das Oliveiras, entre outros.

No meu nome, o que mais gosto é César. A muito custo, consegui agregá-lo ao nome de um dos meus filhos: Rômulo César. Um só cristão neste mundo chama-me de Césinha. Não mais do que cinco ex-colegas me chamam de João Cesar. Pela política, virei João Flores. Na verdade, sou o popular João, assim como o sobrenome Silva, que soma cerca de vinte milhões só aqui no Brasil. Mas adoro o meu nome e sinto-me valorizado quando, de um jeito ou de outro, ligam-me à minha identidade de registro.

A religião possui bastante peso na designação de nomes. Maria Conceição pode ser pela devoção à santa; Antônio dos Santos, pela data religiosa; assim como Jesus de Nazaré, uma referência à sua avó materna, Ana. Tenho uma amiga simpática e querida chamada Marilei, uma mistura dos nomes do pai, Mario, e da mãe, Iderlei. E por aí vai a escrita e a saga dos nossos nomes, muitíssimo influenciados pelos pais.

Nomes próprios são muito valorizados pelo povo judeu, que entende que o nome da pessoa está atrelado à honra e à família. É importante que seja conhecido, admirado, festejado e requisitado no seu meio. O povo judeu é um dos mais prósperos do mundo; portanto, esse conceito merece ser bem considerado por todos.

Sei que não é fácil, mas tenho me policiado bastante, pelas razões acima e por educação, a abonar do meu vocabulário palavras como “beltrano” — que vem de Beltrão —, “fulano”, de origem árabe, bem como “sicrano”, que significa bêbado, acrescido do “tal”, visto que nenhuma delas identifica de maneira alguma os indivíduos.

 

Todos os nomes beneficiam as nossas relações interpessoais e nos aproximam. Servem para nos distinguir, definir, realçar e destacar perante os demais que nos rodeiam ou integram a teia dos nossos contatos.

 

Tanto os atuais quanto os futuros. Portanto, a você que me deu o prazer da leitura, muito obrigado. Eu sou João Cesar Flores, muito prazer. E qual é o seu?

 

João Cesar Flores

 

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