

A expressão do “sujo falando do mal lavado” é um ditado popular usado quando alguém com defeitos graves critica outra pessoa que possui defeitos semelhantes. Ambas as partes possuem falhas, o que torna a crítica hipócrita e inválida, ou seja, nenhum dos lados tem autoridade e moral nos julgamentos.
Alguém ignora seus próprios defeitos (sujo) para criticar os erros alheios (o mal lavado) e, assim, o criticador não é melhor do que o criticado, aos mais atentos, que se propõem a escutar e analisar as tantas narrativas dos assuntos diversos que norteiam o dia a dia do nosso Brasil e do mundo.
Principalmente no que diz respeito às nossas vidas enquanto cidadãos, falo de gente imune ao amor platônico por ideologias partidárias, que com certeza deve estar enojada, descrente, desacreditada. Porque a sensação que se sente pelas decisões tomadas em todas as esferas governamentais é de que vivemos em mundos diferentes.
É bonito e notório ouvir, assistir, compreender e acreditar nos discursos e teses daqueles que têm poder de decisão, que vivem apontando o dedo e mostrando o certo e o errado, além dos estardalhaços, caminhadas, greves, ações judiciais. Conforta muito seus seguidores, fiéis eleitores e fãs. Triste e decepcionante, um balde de água fria no povo em geral, são os acordos, acertos, conchavos em detrimento de poucos e para determinadas classes, grupos, nações.
Já exerci cargo eletivo, sou muito consciente de que sempre dou o melhor de mim nas funções exercidas e de que existe uma imensidão de pessoas que fazem política correta e construtiva em todos os níveis e lugares. Não é só desmerecimento; sei que é através da política séria a via para o desenvolvimento e progresso, ela é o caminho para o fim de todas as mazelas e efetivas benesses em qualquer tempo.
Mas está na hora de separar o joio do trigo, o feijão está com caruncho, é preciso ação urgente, independente dos ideologismos, a limpeza deve ser prioridade essencial em todos os campos, não dá mais para defender uma causa e fazer outra bem diferente na hora em que se precisa de retidão, comprometimento e coletividade, não dá para defender somente os interesses partidários e os próprios e esquecer os que fundamentam o respeito, oportunidades, crescimento e assistência aos seres humanos na sociedade global.
Alto lá aos perfeitos e com soluções para tudo e todos, me representa que soa no ar uma enorme carência de união para um futuro convergente de soluções de políticas públicas para vivências mais humanizadas e sociais. Desprovidas de tantas apelações para o poder e supremacia política, militar, geográfica, nuclear e econômica.
E o povo tem o maior compromisso nesta mudança, o primeiro passo é falar menos e escutar mais, desqualificando tantos rumores e ruídos meramente teóricos e evasivos, suscetíveis a mudanças conforme o vento. Nesta atitude muito fácil e simples de fazer-se realmente se representar, podemos identificar o sujo falando do mal lavado, o resto todo mundo sabe o que fazer.



