

Tem um cheiro que nunca saiu de mim. Cheiro de café passado na hora, de reza baixinho antes de dormir, de colo que curava febre, medo e coração partido. Era o cheiro da minha mãe, Eudora Flores, minha amada Dorinha.
Hoje ela mora em outro plano, mas esse cheiro continua aqui. É o cheiro do AMOR me ensinando, todo dia, a ser mais pai, mais avô, mais esposo, mais amigo e mais humano. Moldado e ungido por esse sentimento que não acaba.
Se a gente pesquisar, vai ver que amor tem definição. Dizem que é multifacetado: respeito, cumplicidade, paixão, liberdade. A psicologia fala em pilares: intimidade, paixão, compromisso. Fala em química: ocitocina, dopamina, menos cortisol, mais vida. Tudo verdade. Amor faz bem pra saúde, pra alma, pra longevidade.
Os gregos deram nomes pra ele. Ágape: aquele amor incondicional, divino, que dá sem cobrar. Philos: o amor de irmão, de amizade leal. Eros: o amor romântico, que incendeia. E tem o Storge, o "stor-jay", que é o amor de família. Natural, instintivo, feito de tempo, convivência e cuidado mútuo. Não depende de paixão. Depende de presença.
E é aí que a gente entende: amor não é palavra banal. É força de vulcão, suavidade da noite, grandeza do amanhecer, magia da lua e energia do sol. É infinito. Não tem limite.
Parece exagerado? Teatral? Poético demais? Pois te digo, em alto e bom tom: esse amor, com todos esses nomes, benefícios e grandezas, Deus resumiu num lugar só. Ele deu para as mães.
Independente das qualidades ou defeitos dos filhos, toda mãe é assim. É fonte de luz, mão divina, sopro de vida, renovação do mundo.
Por isso, neste domingo de Dia das Mães, não titubeia. Não inventa desculpa. Não reclama do tempo. Não lamenta a distância. Simplesmente ama. Faz desse laço o mais forte e o mais importante da tua vida.
Porque nada, absolutamente nada neste mundo, se compara ao privilégio da santidade maior que a gente tem: a nossa mãe.
João Cesar Flores
Tupanciretã-RS



