

Pelo título acima, não há intenção de fazer apologia a quem quer que seja, muito menos de que o texto tenha um efeito puramente ideológico. Quero apenas me debruçar sobre seu real sentido, que nos remete à afirmação de que nossas vivências moldam nossa visão de mundo e nossas ideias. Damos muito de nós à realidade social e ao território que ocupamos.
Dias atrás, conversava animadamente com o doutor Ênio Celeste Burtet. Cidadão muito conhecido em nossa cidade, tem participação efetiva no futebol de campo e no futsal, em entidades sociais, foi diretor do nosso hospital, presidente da OAB e, até hoje, exerce a advocacia. Na política local, foi vereador e presidente do Legislativo. É, no bom sentido, uma raposa velha. Com todo esse currículo e ampla experiência, sempre há muito o que ouvir: sentimentos e conhecimentos realmente vivenciados.
Assim, temos a dimensão de que cada sujeito enxerga o mundo de acordo com o que lhe mostra seu meio social. Essa visão muda drasticamente de uma pessoa para outra, dependendo dos sofrimentos ou dos privilégios que enfrenta. É absolutamente certo que a perspectiva de uma sala fechada e de uma mesa de escritório é incomparável com o dia a dia das ruas e dos bairros.
De fato, só se entende o outro vivendo a mesma realidade, pisando no mesmo chão. Quando apenas observamos de longe, não criamos uma consciência crítica capaz de pensar e sentir as mesmas dinâmicas do ambiente. Temos culturas diferentes. Por isso, é necessária a troca de experiências para o fortalecimento do conhecimento acadêmico aliado ao saber popular.
Nos dias de hoje, numa conversa cotidiana, amiga e descomprometida, mesmo entre doutores e plebeus, facilmente se chega à conclusão de que vivemos uma descrença generalizada. Regredimos muito. Parece que a sabedoria tirou férias, a capacidade de conciliação se perdeu e a comunicação entrou em surto, perdendo a linha da coerência. Prova disso é a guerra de narrativas que representa um lado ou outro deste frágil e usurpado Brasil.
Daí surge o contraditório: muita gente falando do que não sabe nem conhece, sem a mínima noção do que representa o cargo que ocupa ou almeja, sem ideia precisa do meio, das condições e de quem será atingido. E, para completar a insensatez, observamos hoje uma cerrada e evidente disputa travada por bandidos e suas associações criminosas.
Mahatma Gandhi, o pacifista indiano, afirmava que pensar uma coisa, dizer outra e agir de forma oposta cria tensão interna, culpa e sensação de falsidade. Quando pensamento, fala e comportamento caminham juntos, a vida se torna mais coerente, a distância entre os valores pessoais diminui e todos saem ganhando.
João Cesar Flores
Tupanciretã-RS



