

Embora o debate sobre estiagem tenha ganhado mais espaço nos últimos anos, os números mostram que o problema é antigo e recorrente em Tupanciretã. Dados do Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul indicam que o município está na faixa mais alta de ocorrências de estiagens e secas no Estado, com registro entre 11 e 15 eventos no período de 1991 a 2024.
O levantamento coloca Tupanciretã entre as cidades gaúchas com maior frequência de eventos climáticos relacionados à falta de chuva. No ranking estadual, o Rio Grande do Sul aparece como o segundo estado do Brasil com mais ocorrências de estiagens e secas no mesmo período, concentrando 11,98% dos registros nacionais.

Fonte: Mapa Socioeconômico RS.
Conforme a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade), a estiagem é caracterizada como período prolongado de baixa ou nenhuma pluviosidade, quando a perda de umidade do solo supera sua reposição. Já a seca é definida como uma estiagem prolongada a ponto de provocar grave desequilíbrio hidrológico.
No território gaúcho, a maior parte das ocorrências se concentra nos meses de janeiro, fevereiro e março — fase crucial para o desenvolvimento das culturas de verão, como soja e milho, base da economia de Tupanciretã.
Além dos dados históricos, a realidade atual confirma o cenário. Em reportagem divulgada pelo site Globo Rural, o vice-prefeito Márcio Teixeira Dias relatou perdas significativas em sua propriedade. Em uma lavoura de 200 hectares, ele estima prejuízo mínimo de 25% na produção de soja em função da estiagem.
“A situação ficou drástica de janeiro para cá. Ficamos 21 dias sem chuvas até termos 18 mm de precipitação. Mas, depois disso, passamos mais 17 dias sem água. Nos pedaços de lavoura que plantamos mais cedo, a perda passa de 50%”, afirmou.

Os dados históricos e os relatos atuais reforçam que a estiagem não é um evento isolado ou circunstancial no município. Trata-se de um fenômeno recorrente, que ao longo de mais de três décadas tem impactado diretamente o campo, a renda dos produtores e, por consequência, toda a cadeia econômica local.
NOVO EPISÓDIO EM 25/26
Na sexta-feira (20), o prefeito de Tupanciretã, Gustavo Herter Terra, assinou o Decreto nº 7.668/2026, declarando situação de emergência nas áreas do município afetadas pela estiagem.
A medida, com validade de 180 dias, foi adotada devido à falta de chuvas volumosas nos últimos meses, que intensificou o déficit hídrico e gerou prejuízos humanos, ambientais e econômicos. O evento foi classificado como COBRADE 14110, conforme a Portaria 260/2022 do Ministério do Desenvolvimento Regional.
Segundo o Executivo, os impactos já são sentidos tanto na zona urbana quanto, principalmente, na produção agrícola do município.
TODOS CONTRA A DENGUE



