

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS) é um dos principais moduladores do clima global. Ele está relacionado às variações na temperatura das águas do Oceano Pacífico e na circulação atmosférica, sendo dividido em três fases: El Niño (aquecimento), La Niña (resfriamento) e neutralidade.
No Brasil, o Rio Grande do Sul está entre as regiões mais impactadas. Durante episódios de El Niño, há intensificação do transporte de umidade da Amazônia para o Sul do país, favorecendo a formação de sistemas de baixa pressão e aumentando o risco de tempestades, chuvas intensas e até inundações.
Dados do Centro de Previsão Climática, vinculado à NOAA, indicam aumento na probabilidade de formação do fenômeno ao longo de 2026. Atualmente, o Pacífico equatorial ainda se encontra em condição de neutralidade, após o enfraquecimento da La Niña, mas já apresenta sinais de aquecimento gradual.
As projeções apontam cerca de 80% de chance de manutenção da neutralidade até o fim do primeiro semestre. A partir do trimestre maio–junho–julho, a probabilidade de formação do El Niño supera 60%, podendo ultrapassar 90% no segundo semestre deste ano.

O Rio Grande do Sul possui clima subtropical úmido, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano. No entanto, esse padrão pode ser alterado em anos de El Niño. A atuação do fenômeno intensifica correntes atmosféricas, como o jato subtropical, e aumenta o transporte de umidade, favorecendo eventos de chuva acima da média.
Estudos históricos mostram que, em episódios de El Niño forte, o Estado registra volumes elevados de precipitação, especialmente entre os meses de maio e novembro. As regiões noroeste e central costumam concentrar os maiores acumulados, elevando o risco de cheias e transtornos.
Além disso, há um padrão de contraste no Brasil: enquanto o Sul tende a enfrentar excesso de chuva, regiões do Norte e Nordeste podem registrar períodos mais secos.
Diante desse cenário, o monitoramento das condições climáticas torna-se essencial, principalmente para setores como agricultura, defesa civil e gestão de recursos hídricos.
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