

Durante o tratoraço realizado nesta sexta-feira, dia 8 de agosto, em Júlio de Castilhos, e após encontro de autoridades e agricultores no Centro Cultural Alvaro Pinto, o prefeito de Tupanciretã, Gustavo Terra, defendeu enfaticamente a securitização das dívidas do setor agropecuário e uma revisão estrutural na política agrícola nacional. O ato, promovido pelo Sindicato Rural local como parte do movimento SOS Agro RS, reuniu prefeitos, vereadores, deputados e senadores, em apoio aos produtores atingidos pelas sucessivas estiagens e perdas econômicas no Rio Grande do Sul.
Em seu discurso, o prefeito destacou que cerca de 40 mil hectares de produção em Tupanciretã correm risco de não serem plantados na próxima safra, devido ao comprometimento de CPFs de produtores endividados que não conseguirão acessar novas linhas de crédito. “Estamos à beira de um caos social e econômico. Sem a securitização, parte significativa dos produtores rurais será excluída do sistema produtivo”, alertou.
Gustavo Terra lembrou que o setor primário é impactado por variáveis que fogem do controle do produtor, como o preço dos insumos, o valor de mercado dos produtos e as condições climáticas. Por isso, segundo ele, a cada dois ou três anos, o campo enfrenta novas crises, o que evidencia a necessidade de uma política agrícola mais justa, moderna e estável.
O prefeito também defendeu a criação de um modelo de renda mínima por hectare, inspirado em práticas adotadas por países como os Estados Unidos. “Se o custo de produção é R$ 4 mil por hectare, o Estado precisa garantir uma renda mínima de R$ 1 mil, por exemplo, para assegurar a continuidade das atividades no campo. Isso é dignidade, não esmola”, disse.
Ao se dirigir aos parlamentares presentes, Terra elogiou a atuação da bancada gaúcha no Congresso, mas fez um apelo direto: “Sei que farão não apenas o possível, mas o necessário para garantir a securitização. Mas, depois disso, peço que se debrucem sobre o Estatuto da Terra e revisem a política de crédito agrícola, para que nossos filhos não estejam aqui repetindo os mesmos pedidos dentro de poucos anos.”

O chefe do Executivo tupanciretanense também criticou o que chamou de criminalização dos grandes e médios produtores, reforçando que não se pode ideologizar o setor agropecuário. “O agro representa um terço do PIB brasileiro, 52% da balança comercial e um terço dos empregos do país. Ainda assim, seguimos sendo atacados por setores do governo federal que deveriam nos apoiar.”
Terra concluiu sua fala destacando que os verdadeiros protagonistas do evento eram os produtores rurais. “São eles as verdadeiras autoridades aqui. Precisamos garantir sua permanência no campo, com dignidade, renda e respeito”, finalizou.