

Um estudo publicado nesta semana revelou a descoberta de uma nova espécie de réptil pré-histórico na região da Quarta Colônia, no Rio Grande do Sul. Denominado Isodapedon varzealis, o animal foi identificado a partir de um crânio fóssil com aproximadamente 230 milhões de anos, encontrado no município de Agudo. A pesquisa foi conduzida por paleontólogos ligados à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e divulgada em periódico científico internacional.
O fóssil pertence ao grupo dos rincossauros, répteis herbívoros quadrúpedes conhecidos pelo formato característico do crânio, com um “bico” semelhante ao de papagaios. A espécie recém-identificada apresenta diferenças importantes em relação a outras já conhecidas, especialmente na estrutura das placas dentárias, mais simétricas. Estima-se que o animal media entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento, podendo chegar a até 3 metros, conforme comparações com espécies semelhantes.
O material foi escavado em 2020 e preparado no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da UFSM, onde passou por análises detalhadas. A descoberta reforça o potencial científico da região central do Estado, reconhecida mundialmente por abrigar fósseis de alguns dos dinossauros mais antigos já encontrados.

Além disso, o estudo aponta relações evolutivas entre a nova espécie brasileira e fósseis encontrados na Europa, o que é explicado pela existência do supercontinente Pangeia no período Triássico. Naquela época, os continentes estavam unidos, permitindo a circulação de espécies por grandes áreas do planeta.
Com a identificação do Isodapedon varzealis, o número de espécies de rincossauros conhecidas no Brasil chega a seis, evidenciando a diversidade desse grupo no passado. O fóssil integra o acervo científico do Cappa/UFSM, em São João do Polêsine, que mantém exposição aberta ao público e segue como referência em pesquisas sobre a pré-história brasileira.
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