
Durante a 17ª Abertura Oficial da Colheita da Soja, realizada em Tupanciretã, nesta sexta-feira, dia 20, o vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB), fez uma ampla manifestação abordando temas centrais para o agronegócio gaúcho, como endividamento dos produtores, eventos climáticos extremos, custo do diesel e investimentos em infraestrutura.
Logo no início, o vice-governador destacou o papel dos produtores rurais, classificando-os como “a razão de ser do agronegócio gaúcho” e reconhecendo as dificuldades enfrentadas nos últimos anos, especialmente em função das estiagens recorrentes e períodos de excesso de chuvas.
Dívida rural e impacto das estiagens
Gabriel Souza defendeu a necessidade de uma solução estruturante para o endividamento dos produtores, argumentando que os prejuízos não decorrem de falta de capacidade técnica, mas sim de eventos climáticos severos. Segundo ele, o cenário atual exige apoio diferenciado por parte do governo federal.
O vice-governador comparou a situação do Estado com regiões historicamente afetadas pela seca, destacando que grande parte do território gaúcho tem sofrido com estiagens intensas nas últimas décadas. Para ele, a renegociação das dívidas é essencial não apenas para o Estado, mas para a economia nacional.
Irrigação e políticas de longo prazo
Como medida para o futuro, Gabriel Souza enfatizou a ampliação dos investimentos em irrigação. Ele citou programas estaduais que subsidiam parte dos custos para instalação de sistemas, mas reconheceu que ainda é necessário avançar.
Entre as propostas, está a prorrogação do fundo de reconstrução do Estado, com direcionamento de recursos para projetos de irrigação, correção de solo e aumento da capacidade produtiva. O objetivo, segundo ele, é reduzir a dependência de novas renegociações no futuro.
Industrialização e biocombustíveis
O vice-governador também defendeu maior industrialização da produção de soja no Estado, evitando a exportação do grão in natura e ampliando a geração de emprego e renda. Ele destacou o potencial do setor de biocombustíveis como alternativa estratégica, com possibilidade de expansão da participação de fontes renováveis na matriz energética.
Diesel e proposta de subvenção
Outro ponto central da fala foi o alto custo do diesel. Gabriel Souza sugeriu que o governo federal utilize parte dos lucros da Petrobras para subsidiar o combustível ou compensar estados e municípios, reduzindo o impacto para produtores e para a economia em geral.
Ele também mencionou a dependência do Brasil em relação ao diesel importado e defendeu o aumento da mistura de biocombustíveis como forma de diminuir essa vulnerabilidade.
Infraestrutura e investimentos
Na área de infraestrutura, o vice-governador confirmou investimentos importantes para a região, como a conclusão da obra entre Tupanciretã e Santa Tecla, o avanço da ligação com Jari e o planejamento da estrada até Júlio de Castilhos.
Ele destacou ainda a retomada da capacidade de investimento do Estado após o ajuste das contas públicas, afirmando que obras estruturantes são fundamentais para o escoamento da produção e o desenvolvimento regional.
Ao encerrar, Gabriel Souza reforçou a necessidade de união entre lideranças estaduais e federais para enfrentar os desafios do setor, defendendo soluções definitivas para dívida rural, estiagens e custo do diesel.
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