
Durante a abertura oficial da colheita da soja em Tupanciretã, o prefeito fez um discurso marcado por cobranças diretas aos governos estadual e federal, além de forte defesa do setor primário. Em sua fala, ele ressaltou a importância dos produtores rurais e classificou o momento como crítico, especialmente diante do aumento no custo dos combustíveis.
Logo no início, o chefe do Executivo valorizou o protagonismo do campo no desenvolvimento econômico. “Meus cumprimentos especiais às verdadeiras autoridades aqui presentes, que são os produtores rurais que tornam tudo isso possível”, afirmou.
Ao abordar as pautas regionais, o prefeito citou demandas de infraestrutura já debatidas com o governo do Estado, como a conclusão e início de obras em rodovias estratégicas da região. No entanto, foi na questão dos combustíveis que concentrou suas principais críticas.
Segundo ele, o município enfrenta dificuldades operacionais devido à disparada no preço do diesel. “Tenho uma licitação que me permite adquirir o diesel a R$ 6,05, mas a empresa só entrega por R$ 7,40. Até lá, estou com as máquinas guardadas”, relatou, mencionando inclusive a impossibilidade de utilizar uma nova patrola recém-adquirida.
O prefeito também levantou suspeitas de irregularidades na formação de preços e pediu ação das autoridades. “Existe oportunismo, existe especulação. Peço que o governo do Estado acione os órgãos competentes para investigar e punir quem está tentando extorquir a população”, declarou.
A situação, conforme destacou, é ainda mais grave para os produtores rurais, que estariam pagando valores entre R$ 8 e R$ 10 pelo diesel. “Eles não têm mais gordura para arcar com esse ágio no custo de produção”, alertou.
No campo federal, o discurso ganhou tom mais estrutural. O prefeito defendeu mudanças profundas na política agrícola brasileira e criticou a recorrência de medidas emergenciais. “A cada 20 ou 30 anos estamos mendigando securitização. O erro está na política agrícola”, afirmou.
Ele também argumentou que o governo federal deveria assumir maior responsabilidade sobre o seguro rural. “Produção de alimento é soberania nacional. Quando o produtor não colhe, o governo deveria garantir sua sobrevivência”, disse.
Outro ponto de forte crítica foi a reforma tributária. O prefeito afirmou que o novo modelo pode prejudicar municípios produtores como Tupanciretã. “Vai retirar cerca de R$ 20 milhões do nosso orçamento, porque a tributação passará a ser no consumo e não mais na origem”, explicou.
Em tom de alerta, ele apontou possíveis consequências a longo prazo. “Produziremos muito e sustentaremos os grandes centros, enquanto nossos jovens terão menos oportunidades e deixarão o município”, afirmou.
Ao encerrar, o prefeito também fez um recado político, defendendo maior compromisso dos candidatos com o agronegócio. “Trabalharemos para que nossos eleitores escolham representantes comprometidos com o setor”, disse.
Apesar das críticas, ele finalizou com uma mensagem de esperança, destacando a diversidade de resultados na atual safra. “Tem lavoura produzindo 80 sacos, mas tem gente colhendo apenas 8. São essas pessoas que mais precisam de apoio”, concluiu.