

Nasci aqui e permaneço até hoje, portanto sou um “repolho” autêntico, urbano de nascença e, assim, com uma relação muito próxima e marcante com cada uma de nossas praças. Os principais sinônimos de praça, dependendo do contexto, incluem largo, logradouro, jardim público, parque e pátio, todos remetendo a espaços abertos e de convivência. Enfim, em qualquer lugar, as praças sempre são referências e pontos de encontro das pessoas, seja para um simples passeio ou para grandes festividades e celebrações populares.
Não conheço nenhuma cidade que não tenha praças. Imagino que nem exista, pois esses espaços fazem parte dos cenários citadinos. Nem éramos emancipados ainda, e Antônio José da Silveira já disponibilizava, além dos terrenos, o espaço da praça — hoje, a Leandro Kruel.
O Dr. Pedro Pinto, que dá nome à nossa Biblioteca Pública e foi prefeito entre os anos de 1932 a 1935, foi quem construiu, pavimentando e urbanizando a praça central, que leva o nome do General Joaquim Luiz de Lima Beck, um dos grandes baluartes de muita importância para o nosso progresso.
Assim como o Dr. Hélio Franco Fernandes, outro dos nossos comandantes municipais, que entre suas importantes obras tem em seu currículo a Praça Pedro Osório, nome de um cidadão ímpar da nossa história, merecedor de todas as homenagens recebidas. A empresa “Charqueadas”, de 1908, foi mola propulsora do nosso progresso, e esse grande empresário foi facilitador dos trâmites emancipatórios, graças à sua influência estadual.
No início da década de 70, iniciei meus estudos na Escola Frei Galvão. Confesso que a praça era o meu paraíso. Minha infância tem muito dos brinquedos, das brincadeiras, do tempo que passei e dos sonhos que cultivei sentado nos jardins e bancos daquele lindo lugar. Cada vez que vejo uma criança hoje na pista nova de skate, aprendendo a pedalar nas suas calçadas, sorrindo em um balanço, facilmente me emociono, pois é um sentimento natural, plantado no meu coração.
Na juventude, trocamos de endereço, mas não mudou a paixão por esses espaços. A quadra de chão da Praça Pedro Osório consumia nossos tênis e nosso tempo. Sempre que possível, lá estávamos nós, de dia ou de noite, uma turma de guris correndo, brincando, jogando e namorando. Foi por um mal-entendido, quando alguns vândalos quebraram todos os bancos dessa praça, que o município, por meio do vice Ary Souza, tomou providências — e, naquele contexto, acabei mudando minha história de vida ao conseguir meu primeiro emprego.
Antes disso, também corríamos pela praça central. Éramos uma turma de jovens saboreando a liberdade, inquietos, mas de boa índole. Transmitíamos apreensão por conta de bebidas, cigarros e muita correria. Em uma dessas, pulei do banheiro central sem encostar os pés na grade que circunda a pranchada. Não deu outra: quebrei o pé esquerdo. Demorei a me recuperar e carrego marcas até hoje.
Tenho certeza de que essas histórias não são só minhas. Muitos de vocês, ao observarem um torneio de vôlei ou basquete, famílias inteiras conversando e o chimarrão passando de mão em mão — como nesta sexta-feira, dia 27 de março, à noite, na Praça Pedro Osório, em uma ação da Secretaria Municipal de Esportes e Cultura — acabam sendo transportados ao passado.
A mesma sensação ocorre na Praça Central. Em breve, teremos um banheiro público novo e moderno, para somar a tantas outras melhorias que já foram realizadas.
Sempre quis ver essas reformas. Quando fui vereador, protocolei propostas na Casa Legislativa para essas ações nas três praças, mas sem êxito.
Mas tudo tem sua hora e seu tempo. A vida é uma permanente transformação. Os amantes, como eu, desses espaços públicos estão de parabéns. Finalmente, de fato e de direito, podem afirmar em alto e bom tom: “Praças em Movimento.”



